Pranto De Maria Parda / Porque Vio As Ruas De Lisboa Com Tão Poucos Ramos Nas Tavernas, E O Vinho Tão Caro E Ella Não Podia Passar Sem Elle
- Autor: Gil Vicente
- Editora: Classic Books Forever
Sinopse
A severa e castigadora escassez de mantimentos aliada ao mais profundo e negro desespero humano adquirem de imediato acentuados contornos cómico-trágicos perfeitamente hilariantes e paradoxais através das ruidosas lamentações teatrais de uma infeliz mulher lisboeta que se encontra literalmente consumida por uma agoniante e insuportável sede de vinho encarnado. Num caótico e deplorável cenário urbano marcadamente marcado pela carestia extrema que grassa descontroladamente pelas escuras e sombrias tabernas poeirentas da velha cidade de Lisboa, o estridente e escandaloso clamor ébrio pela preciosa e salvadora bebida avinhada transmuta-se agilmente e de imediato num formidável e distorcido espelho fiel e inclemente que reflete cruamente todas as profundas agruras económicas, misérias e brutais desigualdades sociais que massacram cruelmente a ignorada população plebeia marginalizada nas ruelas imundas da capital. A bizarra, desconcertante e exagerada farsa tipicamente grotesca concebida pelo autor expõe perante os espetadores perplexos, mediante o recurso sistemático e engenhoso a rimas velozmente hilariantes repletas de brejeirice e a lamentos intencionalmente exagerados até ao absurdo absoluto, a muito dura, miserável e fria realidade das perigosas ruas noturnas e a trágica e viciosa dependência alcoolizada do povo anónimo face aos infortúnios da penúria geral. Renda-se prazerosamente e sem reservas ao indomável e mordaz génio satírico ancestral de uma icónica e atrevida figura literária popular marginal que consegue encontrar genial e prodigiosamente um inusitado filão de humor escrachado mesmo no âmago das situações mais severamente deprimentes, dolorosas, sujas e miseráveis da humana condição terrena. Um visceral, muito cru, doloroso e simultaneamente formidavelmente pitoresco retrato caricatural focado no invisível povo sofredor e miserável anónimo, magistralmente registado para a eterna posteridade com uma cintilante, corrosiva e absoluta genialidade teatral totalmente incomparável e sem rival. .... Nota: Esta edição encontra-se redigida de acordo com as normas gramaticais e ortográficas do Português de Portugal.